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Blog Novo no nosso blogue: Despertar musical: aprender com ritmo e canções 🎵 Ler o artigo

«Hoje não fiz nada na creche.» E, no entanto, aprendi tanto.

Um dia na creche não se mede pela quantidade de trabalhos que a criança leva para casa. As brincadeiras, os pequenos gestos e as relações também contam.

Uma criança pequena explora e empilha livremente peças de madeira num espaço de brincadeira adequado à sua idade.
Várias crianças brincam livremente num espaço de areia da creche Les Petits Tournesols.
Brincar, escavar, observar e recomeçar: descobertas ao seu ritmo.

Chega a hora de ir buscar a criança à creche. Recolhemos o casaco, o peluche de conforto e as suas coisas. E fazemos uma pergunta muito natural: «O que fizeste hoje?»

Às vezes, há um desenho ou um trabalho manual para admirar. Outras vezes, não há nada para levar para casa: nenhuma pintura, nenhuma criação acabada. Apenas um dia passado a brincar, a observar, a experimentar e a recomeçar.

E se algumas das descobertas mais importantes tivessem acontecido precisamente nesses momentos que não deixam nada para mostrar?

As aprendizagens mais importantes nem sempre são visíveis

Vivemos habituados a valorizar resultados concretos. Sem nos apercebermos, podemos olhar para a infância da mesma forma: um trabalho manual parece provar que o dia foi produtivo, enquanto uma brincadeira sem resultado visível pode passar despercebida.

No entanto, as crianças pequenas descobrem o mundo através dos sentidos, do movimento e das relações. Tocam, deslocam objetos, escutam e observam. Percebem o que acontece quando agem e como reagem as pessoas à sua volta.

A American Academy of Pediatrics explica que brincar de forma adequada à idade pode apoiar o desenvolvimento social, emocional, cognitivo e linguístico. Brincar não é aquilo que a criança faz antes de aprender. Brincar é uma forma de aprender.

Outra vez, e mais outra: o valor da repetição

Uma criança pode passar bastante tempo a construir uma torre de cubos e a derrubá-la. Para o adulto, o resultado já é conhecido. Para ela, cada tentativa pode ser uma oportunidade de aperfeiçoar um gesto, antecipar o que vai acontecer ou ganhar confiança.

O quadro de referência luxemburguês para a educação não formal reconhece a importância das experiências repetidas e da brincadeira. Nem sempre é necessário propor imediatamente algo diferente.

Dar tempo não significa deixar a criança sem apoio. Os educadores mantêm-se atentos, asseguram um ambiente seguro e ajudam quando é necessário. Respeitar uma descoberta é também respeitar o tempo de que ela precisa.

Quem observa também pode estar a descobrir

Num grupo, algumas crianças participam logo nas atividades. Outras preferem observar primeiro. Olhar com atenção pode ajudá-las a conhecer uma situação antes de decidirem participar.

Isso não significa que toda a observação seja automaticamente uma aprendizagem, nem que se deva ignorar um afastamento persistente. Cabe ao educador procurar compreender: há curiosidade, cansaço, insegurança ou vontade de participar com alguma ajuda?

Nos Petits Tournesols, a observação e o respeito pelo ritmo individual fazem parte do nosso projeto pedagógico. O objetivo não é obrigar todas as crianças a participar da mesma maneira, mas criar oportunidades adequadas a cada uma.

Brincar livremente é poder tomar a iniciativa

Na brincadeira livre, a criança pode escolher o que lhe interessa e como quer explorar, num ambiente seguro. Pode imaginar uma história, experimentar materiais, mudar de ideias, brincar sozinha ou procurar outras crianças.

A UNICEF destaca como estas experiências podem estimular a autonomia, a imaginação e a capacidade de procurar soluções. Mas brincadeira livre não significa ausência de adultos: o espaço, os materiais e o acompanhamento têm de ser adequados à idade.

A liberdade de explorar precisa de um ambiente preparado e de adultos atentos.

O trabalho dos educadores que nem sempre se vê

Quando pensamos no trabalho de um educador, lembramo-nos facilmente das atividades organizadas. Mas há muito trabalho discreto: observar antes de intervir, acolher uma emoção, acompanhar um conflito, incentivar uma iniciativa ou esperar antes de ajudar.

O relatório Starting Strong VI, da OCDE, realça a importância da qualidade das interações quotidianas. O Center on the Developing Child, da Universidade de Harvard, sublinha também o valor das respostas atentas e recíprocas dos adultos.

Um olhar correspondido, uma canção partilhada ou uma criança tranquilizada são momentos educativos importantes, mesmo quando não fica nada para mostrar.

Atividades, sim. Uma corrida às atividades, não.

Devemos então abdicar da música, das atividades criativas, do movimento ou das experiências sensoriais? Claro que não. Todas elas têm lugar no dia a dia da creche, a par da brincadeira livre e das rotinas.

Uma pintura pode ter valor mesmo que o resultado final seja diferente do esperado. Uma atividade musical não precisa de terminar com uma canção reproduzida na perfeição. O importante é também a experiência, o prazer de participar e a liberdade de experimentar.

Um bom dia na creche não é necessariamente aquele em que se fizeram mais coisas. É um dia em que a criança pôde viver experiências adequadas às suas necessidades.

Os pequenos momentos do quotidiano também contam

As refeições, o momento de vestir o casaco, as transições e o descanso fazem parte do dia. Podem oferecer oportunidades de comunicar, reconhecer hábitos, ganhar autonomia e relacionar-se com os outros.

Mas não precisamos de transformar cada momento num exercício educativo. Uma refeição pode ser simplesmente agradável e uma pausa pode servir para descansar. As crianças também têm direito a brincar pelo prazer de brincar.

Em casa, por vezes, menos é suficiente

Os pais querem naturalmente proporcionar experiências estimulantes aos filhos. No entanto, o desenvolvimento não depende de um programa interminável de jogos e atividades.

Também em casa podemos deixar a criança escolher uma brincadeira, repetir uma descoberta e explorar ao seu ritmo. A UNICEF recomenda um espaço seguro, adultos atentos e oportunidades para procurar soluções antes de alguém fazer tudo por ela.

Brincadeira livre não significa brincar sempre sozinha. Brincar em conjunto é igualmente importante quando a criança o deseja.

E se fizéssemos outra pergunta?

Ao ir buscar a criança, podemos perguntar não apenas o que fez ou produziu, mas também o que viveu. O que despertou o seu interesse? Houve um momento de que gostou especialmente? Experimentou algo novo?

Os educadores não conseguem relatar cada minuto. Mas o diálogo com as famílias ajuda a dar visibilidade às pequenas experiências e a compreender melhor cada criança.

O que a criança leva realmente da creche

Às vezes, a mochila traz um desenho. Outras vezes, apenas as coisas habituais. Mas aquilo que a criança viveu não cabe todo dentro da mochila.

Talvez tenha ganho confiança num movimento, imaginado uma história ou simplesmente sentido que estava num lugar seguro. Nem todos os minutos precisam de produzir uma aprendizagem mensurável.

Nos Petits Tournesols, queremos proporcionar tempo, referências estáveis, relações atentas e oportunidades variadas de descoberta. Talvez o mais importante que a criança descobriu hoje ainda não seja visível.

Fontes

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Perguntas frequentes

O que é a brincadeira livre na creche?

É o tempo em que a criança pode escolher e explorar num ambiente seguro e adequado à idade, com educadores atentos e disponíveis.

As crianças aprendem mesmo enquanto brincam?

Sim. Brincar pode apoiar o desenvolvimento da linguagem, do movimento, das relações, da imaginação e da resolução de problemas.

O meu filho brinca muitas vezes sozinho. Devo preocupar-me?

Brincar sozinho pode fazer parte do desenvolvimento. Se o isolamento persistir ou causar preocupação, vale a pena conversar com os profissionais que acompanham a criança.

As atividades orientadas são menos importantes?

Não. As atividades propostas e a brincadeira livre complementam-se quando respeitam a idade, as necessidades e os interesses de cada criança.

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